hoje nao me sinto
hoje não me sinto bem
sinto-me como aquela bandeira da olá, esfarrapada, suspensa por um fio tenaz, hasteada no mastro do café dos piratas junto ao mar, sujeita aos arrufos do vento
sinto que a qualquer momento se vai interromper a corrente do golfo, e o gelo vai tornar-se mais pesado do que a água, fazendo jus à densidade, e a lua, a lua vai voltar-nos a outra face
sinto que já não há campanhas passíveis de contrariar o que nos gela as veias
qual sistema de calunia, entorpecimento ou perfídia
marés negras
acabam-se as lajes de mármore, cimentem-se os corpos
emparedem as ideias
migram as andorinhas do bordalo pinheiro