de volta à pequena escrita
de volta à pequena escrita
o círculo estreita-se cá na ilha
não encontro jeito de falar-te sem que me sequem as palavras
esvazio-me de verbo mal tacteio a tua ausência do lado de mim
de maneira que o sono me encontra mansa como a água numa garrafa de 33 cl que perdeu o gás e deixa um travo a bafio findo o primeiro gole. olho a capa do livro do T. e tento adivinhar a idade daquele amor voltado e procuro convencer-me que não são tu e ela quando na verdade já tudo aconteceu. aqui desta pequena escrita, ilha que me tem tão restrita, olho vagamente pela janela e desfilam, difusas, pequenas imagens passadas que mais não foram do que adereços de uma atenção menor e que agora,
quando nelas procuro abrigo, me escapam, se fecham, voltam-se de costas tal como os vultos na fotografia
um livro que não cheguei a ler
e sorvo um golo de cerveja preta, sabes que enjoei as brancas, não sabes?
Já não ouvia amy há quase um mês, mas hoje volto irremediavelmente ao negro pois nele me alastro, tal como a tinta no mata-borrão.
o mau tempo por cá avança sobre os pequenos estragos, mas todos os dias sigo dirigindo-me ao pontão onde se rasga o mar para ver se te encontro reflectido sobre a talha dourada erguida em prece à santinha. raios! porque é que não tirei o raio da fotografia naquela altura, agora cruzo-me apenas com uma parede vazia que insiste em gritar-me: nada aconteceu! e as notícias avançam a impraticabilidade, vai para meses que não atraca navio neste cais, e eu capaz e apostada que nos tínhamos sorrido ali minutos antes, naquela esquina estreita e branca, contrariando o vento frio que nos fendia as orelhas, e espreito o tecto recortado,
que retalho será aprumado pela mão da nossa parca esmola, que pincelada e quando?
mas parece que o senhor que guarda as portas do altar se finou faz agora uns anos e as velinhas que ali resistem estão ligadas à corrente e tremeluzem ao ritmo do vento
2 Comentários:
um dia eu juro que pego em ti e vou mostrar-te na loja porque as lojas têm montras e é para as montras que as pessoas prestam atenção e, invariavelmente, se desiludem por nada como de ti estar lá sem estar, apenas se oferecendo a quem passar.
não há como ignorar este interior.
respirar fundo.
voltar a ler.
contemplar céu, rua, chão, parede, árvore, pessoas, céu. quero mar.
volta sempre, ouviu?
pétonet solar
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