20071028

lost in a beautiful world

acorda estremunhada, surpreendida pelo alvorecer. pesa-lhe a noite no estômago e no dorso. as espáduas dobram a culpa. a margem indistinta e baça que cobre os olhos e os separa da sua afirmação. a visão inflectida no espelho retrovisor.
o choro derrama devagar e pausadamente o desconforto que cresce na boca, entre a ponta dos dedos, e diverge pelos medos.
encontro inoportuno com velha redonda sem dentes que mendiga um pão com queijo. a frieza da recusa, voltando o rosto em forma de não. estou com pressa, não trago dinheiro nenhum comigo, estou com pressa.
e projecta-se o pensamento fútil no seu olhar injectado, a fotografia da véspera, arrancada a um céu azul de mármore e sombra, noite tranquila sobre um prédio que não existe no outro lado do mundo.

olho-te hoje como se pela primeira vez, sem subterfúgios, te anunciasse quem sou, e lamento que me encontres assim despida de subtilezas, francamente vazia, sorriso dado em fingimento, porque bem dizia o poeta que não se finge muito tempo,

tomados por dentro,

gosto especialmente das nódoas que se vão alastrando pelas coxas, as marcas dos dedos que exigem submissão, os ombros e os braços que ilustram o caminho

os pulsos sem mastro

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