a história
a história que tenho para te contar vem em todos os livros que já li. mas não me inspirei neles, e quando a reconhecia ali maldizia os seus autores por ma terem roubado. depois falaste-me do galo de barcelos cuja última versão já colorida ainda não li, embora logo me tenha enamorado dela, como compete ao verdadeiro romance. e percebi que a minha história é como o galo de barcelos, não está em todo o lado, mas quase, e muitas vezes lembra esse país que é em grande parte o meu mundo. não és a minha boa e cândida amiga nem eu a tua primavera, mas estás aqui diante de mim e embora o meu maior desejo fosse eu ser a magra, de entre nós sou a gorda, e além do mais não tenho o peito apontado, como to havia anunciado mas assim mais para o estilo espalmado, contido em respiro.
estou faminta, venha de lá essa garrafa dorna do douro, confesso que também tenho sede.
o que sinto? sinto uma vontade cada vez maior de me perder no olhar das coisas, no lugar desta obstinação que me suspende a vida.
estou faminta, venha de lá essa garrafa dorna do douro, confesso que também tenho sede.
o que sinto? sinto uma vontade cada vez maior de me perder no olhar das coisas, no lugar desta obstinação que me suspende a vida.