a 26 pranto rubro
as entranhas estão a dar cabo de mim, é como se uma criatura sem nome socasse alternadamente um e outro ovário, alternadamente, como num combate de boxe, saltitando sobre um pé e o outro
acordei tarde, ou melhor acordei cedo e fui acordando depois cada vez mais tarde
trazia um resto de sonho pardo, trazia o anseio de um dia mal fadado de trabalho comum, entrei na cabine de projecção e tal como previra no ante-sonho, estava tudo modificado, e como em qualquer matéria de sonho, irreconhecível aos olhos coados da realidade, enfim, reconhecia não reconhecendo, temia não temendo,
o equipamento está em desordem, enquanto procuro dar nome às coisas e reconhecer o material para enfim dar início à sessão não dou conta de mim, quando olho no fim de mim para baixo, estou deitada, assustada, perco água, ontem vi o véu pintado, baseado num romance de somerset maugham, a cólera provoca desinteria, em três dias perde-se àgua para a morte, no início pensei que me tinha mijado, passo a expressão, depois olhei para baixo, e dentro da mancha de água havia sangue. Escoara-se a vontade de levantar-me, quis ficar assim, entregue ao charco, entregue à incapacidade de resposta, será que a cólera escoa a vontade?